Mas é nesse instante torturante que tudo se afigurara para mim: nesse instante de dor que,entrecortada e ferida,sou.
Nesse instante me vejo entre a consciência de minha finitude e a condenação de um destino fatal. Como posso permanecer fiel à minha própria liberdade?Como posso viver consciente de que tudo o que me ampara e envolve - assim como o amor e a gravidade do mundo - será,um dia,negado a mim?
Estou perdida: a sobriedade do real me atingira por completo.
E esse esforço solitário unido a rigidez de meu rosto me condenam. Isso é o absurdo.
Lamento de um blue
But tomorrow may rain, so I'll follow the sun.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
See me,feel me,touch me,heal me
Quando despertara dessa cólera?Ou como devo chamar esse anseio por mim? Transcorrera o tempo,esse mesmo que dividira meu coração em pequenos frascos de Desejo. O que chamo de Desejo não é o simples querer,mas algo que ultrapassa o que sou: esse momento que antecede a vontade é o instante que vivo.
E esse movimento pendular que transcorre entre o tédio e Desejo eu chamaria de carência.
Mas ao sentir essa realidade advinda de uma lucidez momentânea,posso aceitar a vida como é? Estou aqui sentada como a espera de uma salvação?
O que me impressiona são esses acordes cuja única função é sussurrar: - nessa fronteira do que sou e o que fora reside a plena certeza de que a minha maior urgência é viver,apenas viver.
Mas esse suplício que se aquietara no coração deriva do Desejo que se apoderara de mim novamente: não vou negá-lo,vou afirmá-lo acima do que sou.
E esse movimento pendular que transcorre entre o tédio e Desejo eu chamaria de carência.
Mas ao sentir essa realidade advinda de uma lucidez momentânea,posso aceitar a vida como é? Estou aqui sentada como a espera de uma salvação?
O que me impressiona são esses acordes cuja única função é sussurrar: - nessa fronteira do que sou e o que fora reside a plena certeza de que a minha maior urgência é viver,apenas viver.
Mas esse suplício que se aquietara no coração deriva do Desejo que se apoderara de mim novamente: não vou negá-lo,vou afirmá-lo acima do que sou.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
"Como é estranho,como é comovente que essa rigidez seja tão frágil. Nada pode interrompê-la e tudo pode aniquilá-la"
Os olhos marejados,a respiração pausada e a rigidez de seu rosto se modificaram em um instante torturante.
Ela nunca dissera de forma clara sobre sua dor íntima e aguda,vivera sempre encolhida e distante,em uma espécie de torpor incrédulo diante da vida. O que a afligia tanto? - eu pensara. Até que me tornara tão distante dela,que esse afastamento modificara a minha compreensão do mundo que a envolvera por tanto tempo.
Certa vez,estava sentada no sofá, ela veio como que atingida pela dura realidade de sua finitude. Dissera assim: - Esse meu silêncio...ele é a manifestação dessa náusea que se apodera de mim. Eu corro o risco da incerteza.
Eu,absorta em mim mesma,olho para ela e respondo: - Eu nem mesma sei quem sou,como posso ajudá-la? Sua melancolia é a mais doce liberdade que alguém pode ter, porque sua dor se transforma lentamente no que fora e aí então, a vida se dá por insaciável aridez.
Ela,admirada com minha resposta,enrubescera e timidamente retornara ao seu quarto.
Fora nesse momento que me arrebatara uma sensação que nunca sentira antes: por um instante,eu pude ver o mundo tal como era e sempre fora,a realidade pura e sufocante. O meu desejo se apoderara de mim por completo e me entreguei novamente à desorientação,essa mesma que me acompanhara desde o meu nascimento.
Ela nunca dissera de forma clara sobre sua dor íntima e aguda,vivera sempre encolhida e distante,em uma espécie de torpor incrédulo diante da vida. O que a afligia tanto? - eu pensara. Até que me tornara tão distante dela,que esse afastamento modificara a minha compreensão do mundo que a envolvera por tanto tempo.
Certa vez,estava sentada no sofá, ela veio como que atingida pela dura realidade de sua finitude. Dissera assim: - Esse meu silêncio...ele é a manifestação dessa náusea que se apodera de mim. Eu corro o risco da incerteza.
Eu,absorta em mim mesma,olho para ela e respondo: - Eu nem mesma sei quem sou,como posso ajudá-la? Sua melancolia é a mais doce liberdade que alguém pode ter, porque sua dor se transforma lentamente no que fora e aí então, a vida se dá por insaciável aridez.
Ela,admirada com minha resposta,enrubescera e timidamente retornara ao seu quarto.
Fora nesse momento que me arrebatara uma sensação que nunca sentira antes: por um instante,eu pude ver o mundo tal como era e sempre fora,a realidade pura e sufocante. O meu desejo se apoderara de mim por completo e me entreguei novamente à desorientação,essa mesma que me acompanhara desde o meu nascimento.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Diana
Como posso descrever essa ausência que me emerge por inteira - dentro do que sou,esse amor se transfigura na recordação de que você fora plena do mundo. Ainda me lembro - e como dói - que você me fitara com seus olhos mel e aí então uma lágrima percorrera o meu rosto: passiva e doce,se aconchegara timidamente ao meu lado como a dizer que me amava.
Ao admitir que hoje você me é saudade,estabeleço uma profunda comunhão entre solidão e meu pertencimento ao real. Porque essa carência advinda da dor é o sentimento simbólico de vida.
Ao abrir a porta, minha doce Diana abanara o rabo e me recepcionara com a saudade velada do tempo. Fora então que o orvalho da manhã me avisara: é hora de se despedir.
Ao admitir que hoje você me é saudade,estabeleço uma profunda comunhão entre solidão e meu pertencimento ao real. Porque essa carência advinda da dor é o sentimento simbólico de vida.
Ao abrir a porta, minha doce Diana abanara o rabo e me recepcionara com a saudade velada do tempo. Fora então que o orvalho da manhã me avisara: é hora de se despedir.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Aurora crepuscular
Pousara esse olhar resoluto sobre mim e fora então que eu me apercebera gente. Calcada por trás do simbolismo de palavras é que (re)descobri ser. Veja,ao tentar escrever,instintivamente vou sendo: aproximo do meu não-eu porque não sei sequer agir diante de inalcançável tarefa. E esse tilintar das horas só sabe me dizer o quão sóbrio é existir.
Procuro,procuro,procuro e por excelência toco a ferida - e é então que me refaço. Mas eu sei instintivamente,sei que me quero por inteira: a plenitude de mim se dá por fragmentos da mais doce incompreensão.
Sei também que o golpe da dor se dispusera no perdão.O seu olhar - agora envolto por segredos - pousara sobre o meu corpo enlaçando-o numa espécie de desejo da solidão. Propiciara o que temia por tanto tempo: o despertar da aurora vertiginosa.
"não fosse isso
e era menos
não fosse tanto
e era quase" (Paulo Leminski)
Procuro,procuro,procuro e por excelência toco a ferida - e é então que me refaço. Mas eu sei instintivamente,sei que me quero por inteira: a plenitude de mim se dá por fragmentos da mais doce incompreensão.
Sei também que o golpe da dor se dispusera no perdão.O seu olhar - agora envolto por segredos - pousara sobre o meu corpo enlaçando-o numa espécie de desejo da solidão. Propiciara o que temia por tanto tempo: o despertar da aurora vertiginosa.
"não fosse isso
e era menos
não fosse tanto
e era quase" (Paulo Leminski)
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Carta à Macabéa
Escrevo advinda de um profundo instinto doloroso: me permite ser-você como fora no tempo-contínuo dilacerante.
É que me dói saber que você fora embora - me deixara sem descobrir o rudimentar sentido de ser?Admiro-a tanto,deve saber. Tudo que a compõe - seus trejeitos desalinhados e imperfeições distintas - carecem da dura realidade: como é possível estremecer de amor diante da poética crua e verdadeira.
Escrevo porque preciso dizer a dolorosa carência de ser: se aperceber no mundo é de tamanha lucidez que...já não sei me expressar.
Um pássaro pousara no meu ombro hoje e me lembrara do que dissera ontem - ou fora no tempo-contínuo? - sobre a doce plenitude da carência: me (des)faço por completo através de ti. Perguntara certa vez,altiva e colérica, sobre a iminência de um milagre. Eu ,atraída por tamanho desconforto, não soube responder, o silêncio me envolvera com sua sabedoria.
Escrevo,sobretudo,porque desde o início você despertara o amor - amor esse que se doa profundo e singelo sem perguntar o indizível. Lamento não tê-la conhecido,mas admito que o meu primitivo espanto de vida pulsa por sua prosa indecifrável.
É que me dói saber que você fora embora - me deixara sem descobrir o rudimentar sentido de ser?Admiro-a tanto,deve saber. Tudo que a compõe - seus trejeitos desalinhados e imperfeições distintas - carecem da dura realidade: como é possível estremecer de amor diante da poética crua e verdadeira.
Escrevo porque preciso dizer a dolorosa carência de ser: se aperceber no mundo é de tamanha lucidez que...já não sei me expressar.
Um pássaro pousara no meu ombro hoje e me lembrara do que dissera ontem - ou fora no tempo-contínuo? - sobre a doce plenitude da carência: me (des)faço por completo através de ti. Perguntara certa vez,altiva e colérica, sobre a iminência de um milagre. Eu ,atraída por tamanho desconforto, não soube responder, o silêncio me envolvera com sua sabedoria.
Escrevo,sobretudo,porque desde o início você despertara o amor - amor esse que se doa profundo e singelo sem perguntar o indizível. Lamento não tê-la conhecido,mas admito que o meu primitivo espanto de vida pulsa por sua prosa indecifrável.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
"E calcamos em nós,sob o profundo instinto de existir [...]"
Tampouco afrouxara o prazer distinto da vida. Me perdera por não ter consciência do meu não-pertencimento ao outro - e esse desconhecido ganhara uma denominação. O estranho ao qual referira fora O Objeto,porque se tornara fácil projetar no mundo esse incômodo chamado dor.
O que escondera por tanto tempo,onde fora parar? Se o que se passara há pouco é o resquício do presente que infinitamente se completa...então,então, sempre tive necessidade plena de mim?
Preenchida por uma espécie de medo ingênuo disse algo que já fizera parte do íntimo torpor de amor, algo que precedera meu nascimento: "deixa eu ser."
O que escondera por tanto tempo,onde fora parar? Se o que se passara há pouco é o resquício do presente que infinitamente se completa...então,então, sempre tive necessidade plena de mim?
Preenchida por uma espécie de medo ingênuo disse algo que já fizera parte do íntimo torpor de amor, algo que precedera meu nascimento: "deixa eu ser."
"Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes" (Caetano Veloso)
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes" (Caetano Veloso)
"You don't seem to see me
But I think you can see yourself.
How can the mirror affect you?" (The Who)
But I think you can see yourself.
How can the mirror affect you?" (The Who)
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