Fazia bilhetes sem destinatário,sentava na beira da estrada para olhar o mundo da forma mais estranha e singular que pudesse, até que parava de ouvir,para ser escutada.
Tentava em vão entender, mas o amanhã não podia mudar sua condição,que sempre foi semear infertilidades.
Cacos e moedas achadas no chão chamavam sua atenção. Buracos da rua a faziam tropeçar e quando caía preferia ficar por ali. Sentia que fazia parte de construções e edifícios e que seu mundo era igual a verdades nunca ditas e reveladas.
Esconder o que pensava provocava incógnitas que nem ela poderia responder. E quando indagada, fingia falsas pretensões e desviava o rumo, pondo de lado o papel que costumava segurar.
Chorava de porta fechada e ria em voz alta quando observada.
Extremos que nunca faziam sentido. Pontos desenhados por uma espécie de pessoa que não se orgulhava, mas que fazia parte do que a envolvia. O mundo visto por ângulos tão pessoais,que arrepiam os mais sensíveis e deixam os curiosos atentos a qualquer ruído.
Não podia parar,precisava fazer o que a rodeava, rodar. Rodar sem pretensões,até que o infinito pudesse pôr um empecilho e proibisse a sua volta e o girar de cada vida.
"Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração..."
(Chico Buarque)
5 comentários:
Não vou comentar... vou ler... e refletir... êta menina!!!
muito bom o texto...vc é muito boa nisso!
bjokaas
adorooo seus textos
Não se faz nada com bilhetes sem destinatário e não se escuta quando não se ouve.
"Semear infertilidades" é um juízo muito forte. Tens que saber o que planeja semear e se semeia no deserto.
Olhar pra baixo pode ser dignificante caso veja uma distãncia entre o chão e você. É ruim quando você não observa nenhuma distância. Melhor então olhar pra cima.
Pra rodar é preciso que saber quem roda: os outros ou você. Rodar permite olhar vários ângulos ao preço de ficar no mesmo lugar. O infinito não proibe nada...
Ps: Cheguei ao blog por um amigo e fiquei com suas metáforas na cabeça por um bom tempo. Escreves com muita personalidade textos tristes.
Ai, Chico Buarque, que boas lembranças me traz.
"Sentir como quem morreu ou partiu..."é demais alguém conseguir descrever o Vazio interior, dessa forma.Confesso que invejo.
Parabéns Isadora, gostei muito do seu cantinho, e espero com muita fé que seus ditos e escritos "lamentos" sejam apenas uma expressão literária.
Abraço com carinho
Isadora querida,muito gentil em responder ao meu comentário, agradeço sua visita, e virei sim sempre por aqui.
Use sem regras sua introspecção como forma de se expressar, observar, analisar, mas somente para isso.
Para viver a vida, para buscar ser muito feliz, para amar, e se permitir ser amada, use e abuse do otimismo, da forma eufórica de ver e sentir, permita aflorar seus sentimentos mais profundos.
Abraço carinhoso.
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