Trouxe o livro guardado e disse que era para ler, disse também que havia conquistado e que por mérito deveria ter; disse que ela era sua,que o deveria obedecer,foi rude, a jogou na cama,fazendo a pobre moça desfalecer.
À noite ela chorava o pranto,desmanchando aos poucos a vergonha e o medo. Disse que se esconder era o melhor a ser feito.
“Amanhã nada terá acontecido” simulou um riso contido.
Ele tomava o seu café, se sentava na mesa e fingia viver, acreditava que tinha tudo e era o rei de seu mundo. Também acreditava que a fazia mulher e ela assustada, se sentia desarmada: nada podia fazer.
"O que será ser só
Será recomeçar
Será ser livre sem querer
O que será ser moça
E ter vergonha de viver
O que será ser moça
E ter vergonha de viver
Ter corpo pra dançar
E não ter onde me esconder
Tentar cobrir meus olhos
Pra minh'alma ninguém ver
Eu toda a minha vida
Soube só lhe pertencer
E não ter onde me esconder
Tentar cobrir meus olhos
Pra minh'alma ninguém ver
Eu toda a minha vida
Soube só lhe pertencer
O que será ser sua sem você
Como será ser nua em noite de luar
Ser aluada, louca
Até você voltar
Pra quê
Como será ser nua em noite de luar
Ser aluada, louca
Até você voltar
Pra quê
O que será ser só
Quando outro dia amanhecer
Será recomeçar
Será ser livre sem querer
Quem vai secar meu pranto
Eu gosto tanto de você"
Quando outro dia amanhecer
Será recomeçar
Será ser livre sem querer
Quem vai secar meu pranto
Eu gosto tanto de você"
(Chico Buarque)