quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Mentiras





Trouxe o livro guardado e disse que era para ler, disse também que havia conquistado e que por mérito deveria ter; disse que ela era sua,que o deveria obedecer,foi rude, a jogou na cama,fazendo a pobre moça desfalecer.
À noite ela chorava o pranto,desmanchando aos poucos a vergonha e o medo. Disse que se esconder era o melhor a ser feito.
“Amanhã nada terá acontecido” simulou um riso contido.
Ele tomava o seu café, se sentava na mesa e fingia viver, acreditava que tinha tudo e era o rei de seu mundo. Também acreditava que a fazia mulher e ela assustada, se sentia desarmada: nada podia fazer.




"O que será ser só
Quando outro dia amanhecer
Será recomeçar
Será ser livre sem querer
O que será ser moça
E ter vergonha de viver
Ter corpo pra dançar
E não ter onde me esconder
Tentar cobrir meus olhos
Pra minh'alma ninguém ver
Eu toda a minha vida
Soube só lhe pertencer
O que será ser sua sem você
Como será ser nua em noite de luar
Ser aluada, louca
Até você voltar
Pra quê
O que será ser só
Quando outro dia amanhecer
Será recomeçar
Será ser livre sem querer
Quem vai secar meu pranto
Eu gosto tanto de você"
(Chico Buarque)