Parou, olhou o papel,respirou fundo e rasgou. Não deveria escrever carta nem se justificar, o melhor a ser feito era partir sem dizer o porquê ou o seu propósito. Sabia que havia se chegado sorrateiro e garantido seu espaço aos poucos, a sua displicência ou aparente distração foram os motivos para ter conquistado sua mulher. Mas a convivência íntima traz a dor da imperfeição e a quietude do coração.
Foi-se embora, deixando para trás apenas o afeto e a caneca de café suja em cima da mesa. Era madrugada quando partira,seguindo a direção da estrada coberta por árvores cúmplices de sua ação.
Amanhecera e ela abrira os olhos: não havia ninguém ao seu lado na cama. Sentiu uma pequena vertigem ao se levantar,foi para sala e viu a caneca na mesa.
Ele fora embora, a abandonara.