Quente,tão quente estava seu quarto que fora para a sala,onde a iluminação era mais limitada e a luz do sol não esquentava tanto; se era assim ou não, prefirira acreditar. Era tão fácil mentir para si mesma. A alma havia se calado e estava muda.
Perdera temporariamente a capacidade de falar,embora a garganta arranhasse e sua vontade mais íntima fosse se confessar.
Confessar o quê? Havia culpa em si mesma?
Ouvira Cartola dizendo para ela: “O mundo é um moinho,vai triturar teus sonhos tão mesquinhos,vai reduzir tuas ilusões a pó...”
Era verdade. E a verdade ardia,latejava.
Mas acordada estava e sem olhar para trás nem desejar ser o que era antes, apenas podia seguir.
Esses mesmos olhos agora viam pela janela o pássaro sobrevoando sem rodeios sua varanda,até pousar e depois,por um segundo singelo e sorrateiro,ir embora apenas como as aves sabem ir.
“Blackbird,fly...”