O café da mesa retinha confissões. O tempo passara e os fios de seu cabelo agora adquiriam um aspecto confidente, testemunha singela de seu amadurecimento - o filho que não tivera , a mulher que largara, a outra mulher que o deixara, o amigo que partira, a carta que escrevera, o que aprendera e ensinara e o erro do amanhecer.
Agora dirigia-se para a casa de sua mãe, pronto para sentar em outra mesa,beber outro café e ouvir o previsível. O que fizera de sua vida,até então? Arranjara um emprego, conhecera novas pessoas, estendera os lençóis da cama, bebera até sentir-se tonto, dormira sem amor,acordara sem amor,pedira amor e ganhara dívidas.
Acalentara-se da dor e o coração permanecera.
No âmago da descrença,simulara um pequeno mal-estar e fora para sua casa – lá encontraria sua cama, fecharia a porta e dormiria. A aurora seria sua amante e a lua a esposa que nunca tivera.