terça-feira, 6 de abril de 2010

Peso da luz



Segure as minhas mãos,precisarei que segure as minhas mãos e finja que não me conhece. Preciso sentir,antes de tudo,como é ser parte do que não é simples, preciso me iludir com o futuro e através dessa estranha ignorância permanecer calada.
Agora que tenho esse aparente apoio,posso me permitir aos poucos. Mas levará tempo para que o amor – será esse sentimento ou talvez seu avesso? -  tome conta do que sinto agora.
Pois o que vejo é diferente desse sentir; pressinto que vai chover e a profecia se revelará nua e falsa.
“Chegará então um tempo em que lágrimas de sal romperão segredos”- fora isso, sim,fora isso o que dissera a profecia.
E ontem  eu havia enxugado suas lágrimas e você lamentara por ter perdido- mas o quê,afinal?

Aos trôpegos declarara seu amor velado,estou certa?
E você esperara pacientemente  que palavras se revelassem e então – da mesma forma que sonhara ter rompido o cadeado – poderia apoderar-se por inteiro de seus significados.
Mas o seu inteiro é a minha metade. Sou feita de partes e a cada dia elas se perdem,assim como outrora são encontradas. Nada vai mudar,mas continuo a segurar suas mãos.