sexta-feira, 30 de abril de 2010

Sorver o (des)gosto


Chegara do bar, tonto e misericordioso – reflexos da monotonia e cólera que o corroía.
Atravessara a rua em passos trôpegos, o suplício velado da ausência de Vera. Ou seria Joana?
- É a bebida que me faz confundir o pensamento. – dissera a si mesmo.

Não era a  bebida,nem  tampouco Joana,Vera ou Maria – nunca fizera a diferença.
“Vera fornicava sem prazer.”
“Joana era calada e ausente.”
“Maria se perdera e me machucara. Sinto falta de Maria.”

A primeira passara em sua vida como quando se espera por um telefonema,mas o que se recebe é uma carta de despedida. Vera, mulher decidida e amargurada, procurava  um amante - talvez esse tenha sido o maior problema, ele não queria amor e ela,desiludida,não acreditava mais em fidelidade.
Joana ensinara em uma escola, fora sempre tímida e nunca se descobrira mulher. Bebia vinho toda sexta à noite e tocava piano para distrair-se. Sozinha sempre fora e permanecera sóbria.
A terceira,Maria, chegara sem despedidas, não perguntava nada e amava sem medo nem meias palavras. Acreditava em destino,mas a vida por si só mostrara que fora esse o seu crime.

E João,apresento-lhes João - dono de uma voz rouca e um humor inegável, que bebia para esquecer suas frustrações e desatinos, não acreditava no que lia e praguejava palavras sem sentido durante o sono. João arranhara o coração de Maria, fora esquecido por Joana e se tornara vivo nas lembranças de Vera.