Antes do amanhecer,criaram-se especulações e lendas foram contadas- até certo momento que o amanhecer demorara para clarear o dia, a sombra costumeira de seu interior era o que revelara a verdade. E o sertão que vivera tanto tempo dentro de você se ocupara com a sobrevivência, o pau-de-arara e a seca,que ficara grande e constante.
Houvera o tempo que dissera assim:
- O caminho desaparecera por si só e água já não sacia por completo a minha sede.
Mas agora não há mais água nem lágrima. É tudo sertão que habita dentro de você, ganha espaço aos poucos e já não se espera por um porto seguro.
E faço essa carta porque espero que Guimarães Rosa esteja certo e também espero que as amêndoas de Macondo de Marquéz cativem o mais puro sentimento dentro do que se tornara. O que fora já não me interessa mais,por saber justo e puro,que você me dói.
Mas o que acontece é que o ímpeto da descoberta assola esse sentimento e a certeza passa a ser minha música- escrevo em primeira pessoa porque me é especial. Então, o vento sopra lá fora a renúncia que vivo aqui dentro – e o meu anseio é que o tempo possa entardecer o seu desejo e amanhecer o seu sertão.