- O que tenho a lhe contar talvez não desperte o seu interesse e também seja tão mundano, incompreensível e injustificável relatá-lo a gestos tão reprovadores quanto os seus,que o melhor seria nem escrevê-lo. Mas se escrevi até aqui,o papel caridosamente me envolve em um pedido mesquinho,para ser preenchido por mim - ele tem a doçura do precisar,que também é uma carência.
Portanto, o desabafo é assim:
Um homem do sertão cantara para mim, nesses dias em o que o sol acorda tristes olhos, que tudo deve passar e a realidade é inexistente,já que antes não é mais.
Outro homem, esse com seus passos tímidos e sua gaita, sussurrara sábio e eternamente, que quando não se tem nada,não há nada a perder - e o último homem, com o qual eu me deitara tantas vezes em sonhos e fora em sua vida espirituoso e distante, comentara que a chuva o lembrara dos amores contrariados e da dor escondida em seus acordes.
Mas a pena resguardada ecoa dentro de mim.
E eu já não me importo o quanto isso possa significar,nem se as lágrimas correm soltas e dissimuladas,porém sei que o tempo sopra palavras, que o mundo gira e as minhas mãos criam calos. E agora,Drummond?
- E então o papel está preenchido e agradece por eu não rasgá-lo de vez.
"And in her eyes you see nothing,no sign of love behind the tears cried for no one."
[Lennon/McCartney]