Como uma triste pagã se sentava ao sol,cabelos molhados que a lembravam da doçura do esquecimento, e o que marcava sua blusa era passado.
Bastara-lhe o sorriso necessário da partida - a renúncia da canção de um interiorano perdido,que aceita com a sabedoria do tempo sua morte.
E o golpe de liberdade fora o amor,tampouco velado ou desconhecido- apenas o amor condensado em seu primitivo, que o descuido de uma agulha pode ferir o incerto e enxergar o que se mata.
"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim."
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim."
[Carlos Drummond de Andrade]