quarta-feira, 24 de agosto de 2011
"E deixo que você seja. Isso lhe assusta?"
E me arrebatara o gélido sopro da vida. No meu coração se afigurara uma alegria primária,dessas que só se tem quando se morre: a vida por si só me assustara. E me dera conta de que o não-tempo é ilusório e a matéria é feita da brevidade de mim: mas quem sou?
Procurara em vão respostas,embora o que precisara intimamente sempre fora lágrimas de compaixão pela dor. Compaixão? Não. Seria apenas a vertigem do nascer e tempo.
Tempo,havia lido sobre ele há pouco: e se a linearidade fosse uma ilusão? Se eu pudesse inventá-lo, o faria de forma cíclica, para que o renascimento constante de cada um pudesse ser atemporal.
Mas pense: o que eu falara? Se já me perdera por completo nesse fio contínuo que é viver. E de repente uma náusea se apoderara de... por eu simplesmente não ser mais.
Venho do lúgubre peso de mim,embora vez ou outra,esqueço da morte: penso na infinitude dessa pequenez sóbria que somos todos nós. Penso também compreendê-la porque não vejo saída,é que não me alcanço sozinha.