segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Minha Abbey Road


Às vezes quando me vejo descrente do amor, ouço Beatles. 
Quando me vejo sem esperanças e perdida em um mundo que carece de si mesmo, ouço Beatles. 
Quando olho para o céu e percebo que a liberdade é uma utopia, ouço Beatles. 
Quando escrevo em linhas redondas e sinto necessidade de palavras, ouço Beatles. 
Quando meu coração é tão pequeno para o silêncio, ouço Beatles.
Quando o pássaro preto pousa na minha janela cantando sobre o passado, ouço Beatles.
Quando  o sorriso é velado pela dor, ouço Beatles. 
Quando o sorriso é apenas sorriso, ouço Beatles.
Quando a lembrança é uma despedida de saudade, ouço Beatles.
Quando meu coração transborda de amor, ouço Beatles. 
Quando percebo que não pertenço a mim mesma porque o tempo é apenas uma renúncia, ouço Beatles. 
Quando alcanço o profundo de mim, ouço Beatles.
Quando a arte justifica a vida, ouço Beatles. 









terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Frágil


Porque havia o perder-se.  Era tão natural quanto julgara ser o amor? E escrevera assim: “Amor”.  E repetira Esta palavra uma centena de vezes.  É que através do símbolo ela poderia atingir o simbolizado – e era Deus?  Ela sabia, então.  Era preciso, primeiramente, entregar-se a si mesma, para depois, depois...Dispor a si própria era o passo que faltara. Porque o mundo se mostrara pleno após esse reconhecimento. Ela não podia acreditar em um Amor injusto: sofrer era natural? 
 Certa vez ela se entregara toda a outra pessoa sem nem se dar conta de si mesma, mas se ferira.  Fora então que lera em algum lugar que o esquecimento era a melhor forma de vingança e também o melhor perdão. Queria dizer assim, com certa compaixão justificada na indiferença: eu perdôo.  Mas mentira.
 Ele, que mostrara a ela o que era viver. Com que direito ele a fizera amá-lo? Mas esse amor era diferente do Amor.  E então se precipitara em um suspiro silencioso, quase palpável. 


Potty Lazzarotto