domingo, 3 de março de 2013

Rabisco para Rubem Fonseca



E me apoiara na parede, pensara assim: é preciso ter compaixão, mas como é possível amar até mesmo a própria dor? E pensara em Virginia, na forma como ela  me deixara. Virginia - sempre calada, nunca pude compreendê-la. Mas havia Lúcia, que dissera que a felicidade é uma revolução-revólver assim como as letras de Lennon e McCartney. Havia também aquela atmosfera de dor que tanto sufocara Vera. E então, chegara o momento decisivo: por que me envolvera com tantas mulheres? Esse pranto velado é pesar por não conseguir amá-las? 

Haveria um momento em que todas as mulheres com que  me deitara iriam cuspir em meu rosto e repetir palavras pronunciadas em músicas de Chico Buarque. O silêncio de Virginia seria desvelado pelo amor próprio. Lúcia, como me olhara certa vez, iria notar que nascera para ser feliz. E Vera - talvez a mais ingênua - choraria por mim, mas no fundo saberia que eu nunca a fizera mulher.