E me apoiara na parede, pensara assim: é preciso ter compaixão, mas como é
possível amar até mesmo a própria dor? E pensara em Virginia, na forma como
ela me deixara. Virginia - sempre
calada, nunca pude compreendê-la. Mas havia Lúcia, que dissera que a felicidade
é uma revolução-revólver assim como as letras de Lennon e McCartney. Havia
também aquela atmosfera de dor que tanto sufocara Vera. E então, chegara o
momento decisivo: por que me envolvera com tantas mulheres? Esse pranto velado é
pesar por não conseguir amá-las?
Haveria um momento em que todas as mulheres
com que me deitara iriam cuspir em meu
rosto e repetir palavras pronunciadas em músicas de Chico Buarque. O silêncio
de Virginia seria desvelado pelo amor próprio. Lúcia, como me olhara certa vez,
iria notar que nascera para ser feliz. E Vera - talvez a mais ingênua - choraria
por mim, mas no fundo saberia que eu nunca a fizera mulher.