- Mas é que esse caminho é tão tortuoso e eu costumo tombar tanto,que dói pensar na queda.
Todos na mesa calaram-se e só ouvira-se o estalar da mão de seu pai em seu rosto.
Em sua casa nunca houvera espaço para ele, tampouco suas duas irmãs, que passavam o tempo ajudando a pobre mãe,já perdida e infeliz. O seu pai sempre fora calado e intransigente, embora seu filho notasse que ele se tornara assim por ser um covarde sem redenção.
- É que as pessoas,elas são tão... – procurava palavras para tentar se expressar e com dificuldade e certa resignação prosseguia: – Mas é que as pessoas,elas simplesmente são assim. – dissera à sua irmã mais nova.
-As pessoas são o quê? – indagara sua outra irmã,que escutara tudo,sempre atenta à conversa.
- É que elas desprezam tudo que se é achável e dói por demais esse mundo,entende?Ele é frio e um grande deserto.
E eles se olharam assim,como se olha o pássaro caído do chão, e em silêncio tombaram para o lado do sofá e calaram-se.
“O mundo é mesmo assim – e se isso é natural,então o sonho acabou.” Pensara o pobre menino,que escondia nos olhos a tormenta de viver.
“Vi: o que guerreia é o bicho, não é o homem” (Guimarães Rosa)