terça-feira, 14 de setembro de 2010



Porque a sua primitiva vontade se tornara o flagelo de uma doença que se espalhara pelo seu olhar.
"Mas os seus olhos são tão bonitos..."
"Mas você é tão triste..." - resquícios do que não acreditara e da sua falta de fé na humanidade?
O tempo passa, você desacredita,chora,renasce e volta a morrer,não é mesmo? 
"Mas você é tão sozinha..."; sim,sim,ela fora sozinha e diriam alguns, os guiados pelo desdém comum, que se tornara azeda e arrogante; um ser egoísta cujo limite de compreensão acabara.


Mas até que ponto então, vista como uma primata, poderia provar que o desdém era a ignorância fantasiada em duras palavras? Poderia provar que o gosto amargo da existência valia pela carência fortuita e negligente. 
Intimamente sentira a fragilidade do mundo e das pessoas, o laço fino que dividia as crenças do meticuloso vazio que vivia. 
O que restara fora um sorriso ocioso e resignado,de quem vive por acreditar valer a realidade da matéria e a ambigüidade do ser -  ser não fora mais em vão.