domingo, 13 de março de 2011

"No entanto tua fome é grande como a tua alma que apequenaste à altura do outro."



É que pensara que assim como sua existência até agora não fizera sentido algum - talvez,talvez se pudesse renunciar a si mesma, o alívio contido contornasse seu coração. Mas se? Ah, acontece que acordara assim,dessas vezes  em que o perder-se é o perdão da dor. Bem no fundo soubera que nada a consolara como a obediência de viver, essa renúncia que aos poucos afrouxara seus sentidos e olhos; esse cômodo sopro que sufocava a crença - e não ter algo é de um desconsolo passivo e muito triste. 
Às vezes  a compreensão de sua dor a ofendia - era isso,pois, duras farpas que a machucavam na sombra? 
E também nada pedira por estar ausente: porque nada esperava. 


E sussurrara assim: - Agradeço por receber o que desconheço diariamente. Essa estranha ignorância que me preenche é triste como eu. Eu venho de mim, a dor vem da dor, a carência vem...da carência de ser? E amor vem do amor,assim como o opaco vem da luz?Mas de uma coisa eu sei: o  medo vem da descrença.






"Pedem-me pouco, pedem-me quase nada. O terrível é que eu tenho muito para dar e tenho que engolir esse muito e ainda por cima dizer com delicadeza : obrigada por receberem de mim um pouquinho de mim."   (Clarice Lispector)