"Não se doa dessa forma." - dissera o pássaro preto que viera cantar doces melodias no outono desbotado.
"Mas é que sou gente,alheia ao mundo e tudo me dói de tal forma,que hoje,apenas hoje,padeço um pouquinho: sei que voltarei a cantar como fizera para mim,doce pássaro.
Ainda não sei perdoar tampouco ser livre: é preciso um tanto de coragem para ser depois de ter. É um descuido grave.
O amanhã, por enquanto, não é consolo para mim - meu semblante de passividade se tornara a resignação do tempo. Agora estou a pensar como consegue voar com asas estremecidas pelo frio e umidade?"
"É que eu não me desfaço de amar." - e o pássaro se fora.