segunda-feira, 25 de novembro de 2013

"Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança."


Os olhos cinza pousaram delicadamente sobre o objeto que ela observava durante a viagem. O objeto parecia se prolongar através da sombra que projetava na parede –  esse objeto que pertencera sempre à ela.  A melancolia que  a espreitara agora se tornara uma espécie de culpa. Fardo da existência.  E repentinamente um pensamento a acometera de sobriedade e dor:  a velhice a aproximava lentamente da morte - essa condição que a acompanhara desde o nascimento. E pensara que assim que nascera, tivera que lidar continuamente com a própria finitude.  Mas houvera um tempo em que acreditara ser infinita, lembrara docemente que a felicidade santificava a vida. 
A náusea a mortificara novamente. E após fitar o objeto prolongado pela própria sombra, se dera conta do que a angustiara tanto:  sonhos só existiam para preencher o lúgubre vazio da vida.  Vida que se dissipava com o tempo.