sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Para: Clarice,

Mas a verdade que sempre a espantara fora essa: a realidade sôfrega da vida. Dissera certa vez, colérica e inconsolável, que podia classificar tudo que a envolvia. Mas sabia que a esperança era algo perigoso. Intimamente, através da profunda compreensão da dor, ela não permitia que o desejo se apoderasse de si mesma. Cabia a si própria transpor limites. Por tanto querer,nada acontecera. E pensara assim: " esse profundo de mim - o que é?".  É preciso denominar, como classificar tamanha incompreensão? Ela que nunca tivera consciência de quem fora ou mesmo se tornara.  
Mas então, como que atingida por uma espécie de pensamento - pensamento aprisionado em seu inteiror, primitivo e ingênuo - essa pontada que desmitificara o mundo: se dera conta de que a beleza consistia no sofrimento. 
Ou melhor: a beleza fora criada apesar de.

Apesar do silêncio. Apesar da solidão.