terça-feira, 14 de setembro de 2010



Porque a sua primitiva vontade se tornara o flagelo de uma doença que se espalhara pelo seu olhar.
"Mas os seus olhos são tão bonitos..."
"Mas você é tão triste..." - resquícios do que não acreditara e da sua falta de fé na humanidade?
O tempo passa, você desacredita,chora,renasce e volta a morrer,não é mesmo? 
"Mas você é tão sozinha..."; sim,sim,ela fora sozinha e diriam alguns, os guiados pelo desdém comum, que se tornara azeda e arrogante; um ser egoísta cujo limite de compreensão acabara.


Mas até que ponto então, vista como uma primata, poderia provar que o desdém era a ignorância fantasiada em duras palavras? Poderia provar que o gosto amargo da existência valia pela carência fortuita e negligente. 
Intimamente sentira a fragilidade do mundo e das pessoas, o laço fino que dividia as crenças do meticuloso vazio que vivia. 
O que restara fora um sorriso ocioso e resignado,de quem vive por acreditar valer a realidade da matéria e a ambigüidade do ser -  ser não fora mais em vão.


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

"Viver não é vivível"


"I'll need some information first
Just the basic facts
Can you show me where it hurts
There is no pain, you are receding
A distant ship's smoke on the horizon
You are only coming through in waves [...]"

Trocara o olhar admirado por simples gotas salgadas e então tomara por certo seu destino: iria embora e deixá-la,pois ela não mais lhe pertencia. Talvez,ao certo,ela nunca fora sua.

 Porque amor fora carência, amor esse que se dava sem lamentar e em espécie de estranhamento: bebera da água querendo provar sua doce existência. Mas algo ainda lhe faltava? O que fora que deixara para trás?
Se,por um breve momento,perdera a vida. E se por outro momento,esse gradual barulho da cidade fosse o que a permitira fechar a porta e olhar o escuro, se sentir atonal e irreconhecível. Amor fora o seu grito de apelo pela não-solidão,tão úmido quanto a terra.




"Hush now baby, baby don't you cry.
Mama's gonna make all of your
nightmares come true.
Mama's gonna put all of her fears into you.
Mama's gonna keep you right here
under her wing."







sábado, 3 de julho de 2010

"De sorte carece de se escolher..."


- Mas é que esse caminho é tão tortuoso e eu costumo tombar tanto,que dói pensar na queda.
Todos na mesa calaram-se e só ouvira-se o estalar da mão de seu pai em seu rosto.

Em sua casa nunca houvera espaço para ele, tampouco suas duas irmãs, que passavam o tempo ajudando a pobre mãe,já perdida e infeliz. O seu pai sempre fora calado e intransigente, embora seu filho notasse que ele se tornara assim por ser um covarde sem redenção.

 - É que as pessoas,elas são tão... – procurava palavras para tentar se expressar e com dificuldade e certa resignação prosseguia:  – Mas é que as pessoas,elas simplesmente são assim. – dissera à sua irmã mais nova.
-As pessoas são o quê? – indagara sua outra irmã,que escutara tudo,sempre atenta à  conversa.
- É que elas desprezam tudo que se é achável e dói por demais esse mundo,entende?Ele é frio e um grande deserto.

E eles se olharam assim,como se olha o pássaro caído do chão, e em silêncio tombaram para o lado do sofá e calaram-se.
 “O mundo é mesmo assim – e se isso é natural,então o sonho acabou.” Pensara o pobre menino,que escondia nos olhos a tormenta de viver.


segunda-feira, 21 de junho de 2010

Eu vagueia perto de mim


Eu não me é:  é que assim sendo não sou,justo agora que encontrara o que tinha sido. Eu levantara do sofá receosa da tarde vaga, que por estar tão repentina, me machucara; mas eu sei,dentro do que estou sendo agora,sei que já não se entende essas tardes escuras e os meus olhos ficam miúdos e perdidos, soltam algo como lágrimas - seria isso?

O meu eu chora,chora,chora,anda muito amargurado: mas mim continua ser, mesmo que translúcido e sincero. Mim não dói, porque mim já é antes de ter sido .
Eu não sou o que era e eu não entendo o que fui - mim só quer o agora e eu só entende do coração. Mim nascera antes de eu – eu morri antes de mim.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Blowin' in the wind



                                
                          Será?
 

segunda-feira, 14 de setembro de 2009


     
Eu preferia a época em que amar não era ultrapassado.                                                                                     

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Eu Cativo



Eu estive refletindo sobre os valores que hoje permeiam a nossa sociedade.
Não é uma coisa simples a se dizer,porque abrange vários aspectos e é só uma opinião.
Mas,aparentemente,estamos cercados de um "distanciamento social" marcado principalmente pela tecnologia,que pouco a pouco foi se acomodando no sofá de casa.
Fomos deixando que a praticidade se tornasse cada vez mais importante e o" estar ao seu lado" virou uma conversa entre quatro paredes em frente a tela do computador.
O que mais me incomoda não é isso,mas é enxergar que as pessoas se esqueceram do "cativar",e nao só isso,se esqueceram do que diz a Raposa ao Pequeno Príncipe:
"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas".
Se esqueceram que o "cativar" não é temporário,se esqueceram que "amar" é verbo a ser conjugado diariamente,assim como "conviver","respeitar", "aceitar".
Talvez o que eu esteja escrevendo seja considerado clichê para algumas pessoas,mas é
só um pouco da indignação quanto à banalização de sentimentos,palavras e ações.
Me desculpe,mas eu quero cativar. Ser cativada.
Ser a raposa. Ser o príncipe.