Ouça-me bem: há pouco estivera repleta de ausências,dessas que se espalham lentamente e só se sabe de sua existência depois que uma espécie de pontada,unida a uma fadiga da vida, lhe alcança. O silêncio,esse vazio intransponível e mítico, me avisara disso tudo.
- Você se dói?- Foi a primeira pergunta que Ele me fizera, O próprio me respondera com sua quietude infinita.
E o seu estranho incômodo gritara para desvencilhar-se de um todo aspirado pelo não-concreto.
"Pois sou Dante ao abrir a porta do purgatório e perguntar a si mesmo se Deus é invenção da humanidade." - dissera assim,sem ter certeza do que fora.
E me respondera: "A sua descrença se limita na falta do próprio perdão."
A ausência,então,só aumentara.
terça-feira, 12 de abril de 2011
domingo, 13 de março de 2011
"No entanto tua fome é grande como a tua alma que apequenaste à altura do outro."
É que pensara que assim como sua existência até agora não fizera sentido algum - talvez,talvez se pudesse renunciar a si mesma, o alívio contido contornasse seu coração. Mas se? Ah, acontece que acordara assim,dessas vezes em que o perder-se é o perdão da dor. Bem no fundo soubera que nada a consolara como a obediência de viver, essa renúncia que aos poucos afrouxara seus sentidos e olhos; esse cômodo sopro que sufocava a crença - e não ter algo é de um desconsolo passivo e muito triste.
Às vezes a compreensão de sua dor a ofendia - era isso,pois, duras farpas que a machucavam na sombra?
E também nada pedira por estar ausente: porque nada esperava.
E sussurrara assim: - Agradeço por receber o que desconheço diariamente. Essa estranha ignorância que me preenche é triste como eu. Eu venho de mim, a dor vem da dor, a carência vem...da carência de ser? E amor vem do amor,assim como o opaco vem da luz?Mas de uma coisa eu sei: o medo vem da descrença.
"Pedem-me pouco, pedem-me quase nada. O terrível é que eu tenho muito para dar e tenho que engolir esse muito e ainda por cima dizer com delicadeza : obrigada por receberem de mim um pouquinho de mim." (Clarice Lispector)
quarta-feira, 2 de março de 2011
And your bird can sing
Para o Alexandre, que sempre proporcionou noites memoráveis ao meu lado e do Ivan...
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
"Chegou um tempo em que a vida é uma ordem..."
Quisera fosse tão breve assim,quisera a dor passasse e a solidão apenas significasse a condição natural do ser humano. Porque,como dissera certa vez, a busca por algo que não chega é a esperança - mas ela partira sem olhar para trás; ela seguira a linha constante do viver,essa linha tão fina. E de repente eu me lembrara: somos mortais e isso provocara uma sensação aguda no peito,dessas que só se sente quando morre. Mas então passei a ver: a condição de se saber quem é aflige e essa descrença do mundo é o passo que faltara.
Pois então,amor é carência?
terça-feira, 5 de outubro de 2010
E a tigresa possa mais que um leão...
E eu vejo essa mulher,forte no passado, naufragar gradativamente por quem só conhecera a si mesmo por toda a vida. A cada ânsia desatenta desmitificada de razão que perdurara por tanto tempo - sobrara-lhe a fé?
Mulher essa que se desdobrara e garantira que a vida valia enquanto suas forças lhe trouxessem o manejo do descuido: mas agora ele se fora, mergulhado em um sentimento pretificado de arrogância e certezas. Ele se fora e a levara junto.
E por ter ido,por ter se deixado assim tão breve,se esquecera do seu primitivo desconforto e prazer: sempre fora mulher,mas nunca fora feliz.
"... Que tem muito ódio no coração,que tem dado muito amor e espalhado muito prazer e muita dor..." (Caetano Veloso)
Dedicado a essa pessoa que eu espero que se reencontre.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Porque a sua primitiva vontade se tornara o flagelo de uma doença que se espalhara pelo seu olhar.
"Mas os seus olhos são tão bonitos..."
"Mas você é tão triste..." - resquícios do que não acreditara e da sua falta de fé na humanidade?
O tempo passa, você desacredita,chora,renasce e volta a morrer,não é mesmo?
"Mas você é tão sozinha..."; sim,sim,ela fora sozinha e diriam alguns, os guiados pelo desdém comum, que se tornara azeda e arrogante; um ser egoísta cujo limite de compreensão acabara.
Mas até que ponto então, vista como uma primata, poderia provar que o desdém era a ignorância fantasiada em duras palavras? Poderia provar que o gosto amargo da existência valia pela carência fortuita e negligente.
Intimamente sentira a fragilidade do mundo e das pessoas, o laço fino que dividia as crenças do meticuloso vazio que vivia.
O que restara fora um sorriso ocioso e resignado,de quem vive por acreditar valer a realidade da matéria e a ambigüidade do ser - ser não fora mais em vão.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
"Viver não é vivível"
"I'll need some information first
Just the basic facts
Can you show me where it hurts
Just the basic facts
Can you show me where it hurts
There is no pain, you are receding
A distant ship's smoke on the horizon
You are only coming through in waves [...]"
A distant ship's smoke on the horizon
You are only coming through in waves [...]"
Se,por um breve momento,perdera a vida. E se por outro momento,esse gradual barulho da cidade fosse o que a permitira fechar a porta e olhar o escuro, se sentir atonal e irreconhecível. Amor fora o seu grito de apelo pela não-solidão,tão úmido quanto a terra.
"Hush now baby, baby don't you cry.
Mama's gonna make all of your
nightmares come true.
Mama's gonna put all of her fears into you.
Mama's gonna keep you right here
under her wing."
Mama's gonna make all of your
nightmares come true.
Mama's gonna put all of her fears into you.
Mama's gonna keep you right here
under her wing."
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